A INTERNET como mídia de multidão e controle da vida
Por Geize Miranda
Quando pensamos em multidão, logo vem à mente a idéia de um aglomerado de pessoas, simplesmente. Porém, Antônio Negri define MULTIDÃO como
“mais do que uma soma de cooperantes. É um conjunto de singuladaridades cooperantes que se apresentam como uma rede, uma network, um conjunto que define as singularidades em suas relações umas com as outras”.
Somos sujeitos com singularidade, ou seja, produzimos diferença. Se fôssemos apenas indivíduos, produziríamos apenas repetições do mundo. Enquanto indivíduos construímos relações com outros indivíduos.
Na internet não existe um ponto central que emite a informação e sim existe uma “multidão” promovendo trocas de informações.
Portanto, a internet também é uma mídia de multidão. Ela permite a relação de indivíduos através das comunidades virtuais. Porém, diferentemente dos meios de comunicação de massa, a internet permite que o indivíduo determine o seu existir e o não-existir.
Pierre Levy explica isso em Cibercultura:
“O ciberespaço como prática de comunicação interativa, recíproca, comunitária e intercomunitária, o ciberespaço como horizonte de mundo virtual vivo, heterogêneo e intotalizável no qual cada ser humano pode participar e contribuir”
“Uma comunidade virtual é construída sobre as afinidades de interesses, de conhecimento, sobre projetos mútuos, em um processo de cooperação ou de troca, tudo isso independentemente das proximidades geográficas e das filiações institucionais”.
As tecnologias de última geração facilitam a ação de comunicação e a troca de informações com velocidades e qualidades cada vez melhores. Na base da pirâmide econômica e social, em larga escala, estão as populações que vivem à margem deste progresso. Para este grande público, o acesso à informação e à comunicação se dá, na maioria das vezes, por intermédio dos meios de comunicação em massa (ex: televisão e rádio).
A grande maioria da população não tem condições de contratar um serviço de tv por assinatura para se livrar da péssima qualidade dos programas que passam na tv convencional, por exemplo. É sabido que existem milhares de pessoas que valorizam a popularidade destes programas ao proporcionar índices de audiência elevados. Neste caso, o aspecto que influencia é meramente cultural ou educacional.
A internet veio para destruir a sociedade de massa.
A internet não afeta o espaço público, uma vez que o indivíduo é quem busca a informação. O que um indivíduo acessar não será transmitido automaticamente a todos os usuários, mas somente aos que desejarem obter as mesmas informações.
A Internet também é uma mídia de controle porque há mecanismo de controle que condificam os lugares por onde o internauta navegou como o protocolo TCP/IP. Ou até mesmo programas que controlam e podem bloquear no seu computador certas páginas da web.
Para Sandra Rodrigues Braga e Vânia Rubia Farias Vlach, professiras de Geogafia, “o biopoder, utilizando pseudo-argumentos biológicos, escolhe a quem deixar morrer. Para essa escolha, a partir do último quartel do século passado, passa-se a dispor de instrumentos altamente sofisticados, baseados em uma linguagem digital comum, por intermédio da qual a informação é gerada, armazenada, recuperada, processada e transmitida.”
O biopoder como a biopotência passam necessariamente, e hoje mais do que nunca, pelo corpo. O poder já não se exerce desde fora, nem de cima, mas como que por dentro, pilotando nossa vitalidade social de cabo a rabo. Não estamos mais às voltas com um poder transcendente, ou mesmo repressivo, trata-se de um poder imanente, produtivo. Como o mostrou Foucault, um tal biopoder não visa barrar a vida, mas tende a encarregar-se dela, intensificá-la, otimizá-la.