As Crianças e o Lixo

Por Geize Miranda 

O Brasil produz cerca de 180 mil toneladas/dia de lixo, média de quase 1 quilo por habitante. Há 20 anos, a média diária de produção de lixo no Brasil era de 0,6 quilo por pessoa, sem contar que a população era de aproximadamente 140 milhões de brasileiros, o que gerava uma montanha de 84 mil toneladas/dia, 114% a menos que atualmente.
 
Esse crescimento descontrolado acaba gerando os depósitos de lixo irregulares que encontramos em vários bairros de nossas cidades.

É considerado crime ambiental jogar lixo em local a céu aberto. No ano passado, motorista e ajudantes de uma empresa de hortifrutti foram autuados em flagrante porque despejavam restos de frutas e verduras em um lixão irregular na Rodovia do Contorno, enquanto pessoas disputavam as sobras de comida. Nesses casos deve-se utilizar o aterro sanitário.

Além dos impactos ambientais e de saúde pública causados pelo gerenciamento inadequado do lixo, tem-se um quadro crítico relacionado à quantidade de indivíduos que estão sobrevivendo com a comercialização e utilização do mesmo. Existe um grande número de crianças que sobrevivem da “catação” de forma sub-humana.

O governo e ONG’s já desenvolvem projetos para a retirada de crianças do lixo e a capacitação dos catadores, para trabalharem em condições de saúde ideais, fazendo com que estas pessoas atingidas pelo gerenciamento inadequado do lixo participem diretamente do processo de resgate à cidadania.

Tirar as crianças do trabalho infantil com lixo não é tarefa fácil. É preciso colocar e manter essas crianças nas escolas e em atividades complementares, preparar as escolas para recebê-las sem discriminação, garantir que a renda que elas obtêm com o trabalho vai ser reposta para a família – num primeiro momento com bolsa escola, mas depois com a elevação da renda de seus pais – e evidentemente acabar com os lixões.

3 Respostas para “As Crianças e o Lixo”


  1. 1 M.o Junho 14, 2007 às 4:59 pm

    Acho esse tema bem polêmico, pois, além disso, há uma produção industrial e tecnológica que pouco se preocupa com a agressão ao ecossistema, mais sofrida pelos menos favorecidos. Assim eles se relegam a meros amenizadores dos efeitos que, proporcionalmente, são mais causados por grandes empresas, e o desejo consumista. Convidar essas massas à reflexão é preciso

  2. 2 M.o Junho 14, 2007 às 5:00 pm

    Acho esse tema bem polêmico, pois, além disso, há uma produção industrial e tecnológica que pouco se preocupa com a agressão ao ecossistema, mais sofrida pelos menos favorecidos. Assim eles se relegam a meros amenizadores dos efeitos que, proporcionalmente, são mais causados por grandes empresas, e o desejo consumista. Convidar essas massas à reflexão é preciso.


  1. 1 As crianças, o lixo e nós! « Identidade epifânica Trackback em Junho 21, 2007 às 3:17 am

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