Gestão ambiental chega ao mercado da moda, aumentando as vagas de emprego e diminuindo a agressão ao meio ambiente.
Por: Cíntia Cazate, Fabiana Tessinari, Luiz Eduardo Neves e Raphaella Rodrigues
Como obter lucros e produzir produtos de alta qualidade sem agredir a natureza? A busca da resposta para essa questão está mudando o processo produtivo de industrias do ramo têxtil, como a GB Lavanderia e a Marles (vide box), que agridem diretamente o meio ambiente por meio de resíduos tóxicos e a cultura da matéria prima para a confecção das malhas.
O jeans é o “carro-chefe” do mercado capixaba, entretanto, antes de ser comercializado precisa passar por um processo de lavagem, pois é um tecido muito duro, e seria impróprio para uso se não fosse “amaciado”. Esse processo é muito prejudicial ao meio-ambiente e no composto utilizado há vários tipos de toxinas que poluem rios e mares. A GB Lavanderia, sediada em Colatina, é pioneira no Brasil em tipos alternativos de lavagem do jeans. A empresa desenvolveu uma técnica que não utiliza nenhum tipo de produto no material. O tecido é lixado manualmente e depois “lavado” com pedras (processo físico). A empresa está no mercado desde 1996 e o processo de lixamento (tecnologia orgânica) foi implantado no ano 2000. A lavanderia, que no ano de sua criação possuía 22 funcionários, atualmente conta com 120. Desses, 80 trabalham somente com o lixamento. “Uma atitude que é ecologicamente correta, passa a ser também social, à medida que gera muitos empregos”, relata Brito, gerente geral da GB.
Ainda na região Norte do Estado podemos encontrar inúmeras indústrias do ramo têxtil. As de grande porte, em sua maioria, fazem um trabalho interno de reaproveitamento e utilizam produtos biodegradáveis em suas lavanderias. Porém, pensar nas questões ecológicas hoje aumenta as despesas em torno de 45%. No caso das pequenas e médias indústrias, o SEBRAE está mapeando as condições para a implantação de projetos similares aos das grandes fábricas. Segundo a gestora de projetos do SEBRAE, Ana Karla Vitória Macabú, essa é uma medida para médio e longo prazo, já que a preocupação inicial dessas empresas é conseguir se estabilizar no mercado.
Moda Sustentável

A malharia Marles, no mercado há 35 anos, lançou há um ano e meio a marca Bamboo, uma linha de tecido produzida com a fibra de bambu. A roupa produzida com o material, além da leveza, possui outros atributos, como a proteção contra os raios UV; elimina odores do suor; não forma pilling (bolinhas); e é termodinâmica, se faz calor esfria e no frio fica refrescante.
Segundo a gerente e marketing da malharia paulista, Priscila Canccian, “as fibras da maioria dos outros tecidos são extraídas da celulose de eucalipto, que não é uma planta nativa do Brasil e que agride bastante o solo, formando os desertos verdes”. Já o bambu é uma cultura sustentável por crescer cerca de 20 cm por dia. A plantação se renova um ano após a colheita.
Outras malharias, como a Menegotti, também já estão produzindo com o tecido ecologicamente sustentável. Mas o valor do produto final ao consumidor ainda é salgado por conta da importação da fibra, que é de produção exclusiva da China.

