Competição de MMA em Vitória

 Para os lutadores vale quase tudo em busca da glória.

munil vs albino

“Por que não ouvi minha mãe e fiz natação”, pensa Albino na espera pelo golpe de Munil enquanto Carlão observa.

Por: Fernando Faé e Luiz Eduardo Neves

Logo após o anoitecer do domingo o tempo fechou na Grande Vitória-ES. Aconteceu no dia 07 de outubro, a partir das 18h, no Ginásio do Clube Álvares Cabral, o Universidade Fight Show (UFS), um evento esportivo de artes marciais, no qual os lutadores se dagladeiam em um ringue, ou arena, octagonal cercado por grades, criando uma sensação de que quem está lá dentro são gladiadores que arriscam as suas próprias vidas em troca do grande prêmio: a glória.

O UFS encheu o Álvares de gente com sede de ver furiosos combates entre atletas locais e de outros Estados. Gritos exaltados do público, como “acaba com ele” e “chuta, chuta (o corpo do adversário)”, marcaram as sete lutas de MMA, o antigo Vale-tudo, e duas de Muay Thai (Boxe Thailandês).

Um dos desafios mais quentes da noite foi a 6º luta. De um lado da arena Albino Mendes, de 26 anos, com 1,63 de altura, 65kg, representando a equipe Orions (Guarapari-ES) e com um casting de 3 lutas e 2 vitórias. Do outro Munil Adriano, de 24 anos, com 67kg, 1,69 de altura, representando a Academia Central da Luta (Bragança Paulista-SP) e com um casting de 2 lutas e 2 vitórias. Os dois são especialistas em muay thai e jiu-jitsu.

Soa o gongo que dá início a um primeiro round morno, pois são nesses minutos que os adversários se analisam antes do “porradeiro” propriamente dito. Segundo round: Munil não se intimida por estar longe de casa e golpeia com um chute frontal o abdômen de seu adversário. A reação de Albino vem com uma seqüência de socos, da qual um direto acerta em cheio o rosto do visitante, mostrando que o combate não será vencido com facilidade. Esse segundo tempo é mais feroz, mas equilibrado, com o corpo a corpo acontecendo com freqüência no chão.

O terceiro e último round é o momento do qual os lutadores soltam seus golpes como se fossem os últimos. A partir daí, Munil já domina a arena octagonal, subjugando o anfitrião pelos longos três minutos. Mesmo assim Albino resiste, dando para o Paulista uma vitória por pontos.

Vale-tudo ou MMA?

fernando fae e carlão barreto

Fernando Faé cara a cara com Carlão Barreto em entrevista no Hostess Hotel da Praia da Costas, em Vila Velha-ES.

Embora muitas pessoas continuem a se referir às competições de estilo livre com o nome de vale-tudo, essa modalidade de luta é hoje conhecida como MMA (mixed martial arts), e a diferença não está só no nome. O primeiro aspecto são as regras: Não se pode atingir em nenhuma hipótese a coluna do adversário nem chutar seu rosto enquanto ele estiver ao chão. “Já não é mais vale-tudo há muito tempo. Já existem várias regras estabelecidas”, explica Carlão Barreto, árbitro principal, treinador e comentarista de competições de MMA. Outra diferença está no perfil dos competidores. O vale-tudo era uma luta entre dois estilos diferentes (jiu-jitsu contra karatê, por exemplo), já os atletas de MMA praticam diversas modalidades e treinam especificamente para o esporte. “Criou-se uma nova modalidade de luta. Eu digo para os meus amigos que o MMA é para as artes-marciais o que o triatlon é para o esporte em geral. O MMA é o triatlon das lutas, já que envolvem as três modalidades: As de luta em pé, as de queda e as de chão. E precisamos ter as valências físicas dessas três modalidades. Então hoje está nascendo uma nova geração de atletas, de super-atletas, de super-lutadores”, salienta Carlão Barreto.

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