Arquivo para Julho, 2008

Palmares, um mau exemplo!

Contra ou não, a sociedade tem uma dívida para com as pessoas de pele negra, que historicamente sofrem com a desigualdade.

Por: Júnior Silva – medro59@yahoo.com.br

Recentemente li um artigo em uma grande revista de circulação nacional onde seu autor fazia críticas ao sistema de cotas para negros nas universidades públicas tentando desqualificar a palavra Quilombo, uma experiência das mais caras para a nossa história das lutas populares contra o elitismo e suas políticas e economias desumanas.

Ora, é claro que no vestibular, o computador que faz a leitura dos cartões de respostas e os professores que corrigem as provas discursivas não estão vendo se o candidato é negro ou branco. No entanto, a discriminação não está aí, e sim no caminho percorrido pelo candidato até chegar ao vestibular. Como podemos falar que o vestibular não é discriminatório, se ele leva em conta apenas o conhecimento adquirido pela educação formal? Na verdade, não está sendo avaliado o potencial do indivíduo, mas sim a qualidade de acesso que ele pode ter à informação e formação. Quantos filhos de negros podem apenas estudar, dedicando todo o seu tempo apenas a se formar e informar? Sabemos que, todas as estatísticas nunca mostraram os negros com renda e poder aquisitivo maior que os brancos, por isso, não é difícil concluir que os filhos dos negros têm menos acesso a internet, aquisição de livros, viagens que ampliem as experiências cognitivas e concretas sobre a história e geografia e até mesmo assistir às aulas melhor alimentado, o que também faz grande diferença na qualidade do aprendizado. É claro que, uma parte significativa da população branca também sofre todas essas privações, mas a segregação gera uma potencialização ainda mais nefasta desse quadro.

É necessário, sim, uma reparação social aos negros pelo que a elite branca desse país fez e continua fazendo. Se os defensores dessa nossa democracia burguesa, que é responsável por esse modelo de vestibular, acreditam realmente nela, deveriam como bons burgueses democratas, assumir esse ônus que é social.

É exatamente por isso que, neste momento, existe uma elite branca amedrontada com a proporção que a discussão sobre cotas tem tomado. É um grupo que, historicamente sempre esteve no poder, e que, pela primeira vez foi “convidado” a dividi-lo.

No passado, o Quilombo de Palmares se tornou o pesadelo dos donos de escravos e terras do nordeste brasileiro, tanto que, foi feito um dos maiores esforços econômicos e políticos da época para acabar com o Quilombo. Donos de terras e escravos da Paraíba, Rio Grande do Norte, Bahia e Maranhão se uniram e contrataram o mercenário Domingos Jorge Velho para liquidar com Palmares. Este enorme esforço tinha um bom motivo:

Palmares se tornava cada vez mais conhecido, não só por ser um refúgio, mas, também por ter se tornado um exemplo de comunidade coletiva, sem propriedade privada, com uso coletivo das terras de maneira equilibrada e sem discriminação. Em uma colônia onde a propriedade privada e concentração das terras nas mãos de uma pequena elite branca lhes garantia privilégio e poder político, Palmares se apresentava como um mau exemplo, que poderia levar toda a sociedade a questionar aquela concentração de riquezas.

É por estas questões que as cotas hoje se apresentam como um novo Palmares, pois elas são um “mau” exemplo que já colocaram em xeque o discurso da competência e dos méritos individuais. Como podemos julgar méritos e competências em uma sociedade onde não existe igualdade de acesso a informação, educação, alimentação de qualidade, e, além dessas privações, ainda ser segregado.

Amarga Desilusão

As eleições estão chegando e será que os jovens estão preparados para votar?

Por: Simone Patrocínio – simone_palmeira@yahoo.com.br

Estamos às portas de mais um grande espetáculo político, a eleição. Temos pela frente alguns poucos meses que se tornam eternos quando ligamos o rádio ou a televisão, lemos o jornal e temos de encarar os mesmos discursos de milagres e promessas de grandes feitos. Será que alguém ainda acredita? Talvez sim, muitos são eleitos. Os movimentos estratégicos e as jogadas “de mestre”, que todos os candidatos acreditam ter, já estão bem claros e óbvios aos olhos de nós eleitores. Nos bastidores, o leilão com os profissionais do marketing já está na reta final, se não já terminou. Já está claro também, para a sociedade, que a participação jovem praticamente não existe nessa cena política. No menu de opções, as combinações se repetem, sem surpresa.

Mesmo com partidos criados especialmente para jovens é impossível ignorar o fato de que a nossa urna eletrônica traz sempre as mesmas “carinhas”. A grande questão está na relação descompromissada do jovem com os assuntos da nossa política. Infelizmente já faz parte do senso comum a idéia de que o jovem brasileiro é alienado e não gosta de política. Talvez porque política, no Brasil e em boa parte do mundo, se tornou sinônimo de corrupção. Estudar a política brasileira é estar de frente para um obra policial – muito mau acabada – onde intermináveis CPI’s são organizadas e nenhum parecer é publicado. A famosa iguaria italiana, “pizza”.

A desilusão e a descrença do jovem com a política pode estar, também, no fato de que os ideais, de transformar o nosso país em um lugar mais agradável para se viver, sejam esquecidos por algumas remessas de dinheiro ou acordos partidários. Chega eleição passa eleição e as reclamações e denúncias continuam. Sem contar que a maior esperança de renovação na política brasileira se tornou a maior frustração ao dar continuidade a um sistema antes criticado. A isso somamos o fato da nossa história não ter um espaço adequado na formação de nossas crianças e adolescentes. A história do Brasil é posta em tópicos para que o aluno estude para passar no vestibular e não para ser um cidadão.

Por isso, poucos conhecem a história dos movimentos estudantis e se interessam por elas. Será que essa geração “online” sabe quem foram os “caras pintadas”? Ou qual era o propósito? Bom, acesso a informações sobre o assunto eles têm, o que falta é interesse. Esse mesmo movimento que chamou a atenção do mundo e entrou para a história do Brasil está caindo no esquecimento da sociedade e, pior, não foi suficiente para mostrar que a participação jovem na cena política é mais do que importante, é fundamental. Mas, como participar de algo que não se conhece?

É preciso incentivar a participação jovem na política brasileira. Não apenas em partidos, mas em todas as bases da sociedade. Do direito de votar ao dever de cobrar por igualdade social e melhoria da qualidade de vida. É necessário incentivá-los a agir e reagir por ele mesmo e pelo outro. Sendo pessoas ativas e construindo novos caminhos, escrevendo novas histórias. Segundo Karl Marx, “uma idéia torna-se uma força material quando ganhas às massas organizadas”. Os jovens sempre estiveram presentes nas grandes revoluções e movimentos sociais que marcaram época.

Mas é imprescindível lembrar o que o filósofo Platão ressaltou, que o primeiro e fundamental problema da política é que todo mundo acha que pode exercê-la, o que é um erro. Por isso é importante educar nossos jovens a avaliar o histórico e contribuições que cada candidato à vida pública traz, porque além de votar, é preciso fiscalizar, pois não basta reclamarmos, é necessário fazer com que os mandados eleitos sejam instrumentos do bem comum, de alfabetização política e justiça social.


Arquivos

a

Atualizações do Twitter

Flickr

Ilha do Príncipe 08.07.09 - Orelhão

Vila Rubim 08.07.09 - O Mendigo

Praia de Itapoã 08.07.09 - Base colorida

Jardim da Penha 08.07.09 - O ponto

More Photos