As eleições estão chegando e será que os jovens estão preparados para votar?
Por: Simone Patrocínio – simone_palmeira@yahoo.com.br
Estamos às portas de mais um grande espetáculo político, a eleição. Temos pela frente alguns poucos meses que se tornam eternos quando ligamos o rádio ou a televisão, lemos o jornal e temos de encarar os mesmos discursos de milagres e promessas de grandes feitos. Será que alguém ainda acredita? Talvez sim, muitos são eleitos. Os movimentos estratégicos e as jogadas “de mestre”, que todos os candidatos acreditam ter, já estão bem claros e óbvios aos olhos de nós eleitores. Nos bastidores, o leilão com os profissionais do marketing já está na reta final, se não já terminou. Já está claro também, para a sociedade, que a participação jovem praticamente não existe nessa cena política. No menu de opções, as combinações se repetem, sem surpresa.
Mesmo com partidos criados especialmente para jovens é impossível ignorar o fato de que a nossa urna eletrônica traz sempre as mesmas “carinhas”. A grande questão está na relação descompromissada do jovem com os assuntos da nossa política. Infelizmente já faz parte do senso comum a idéia de que o jovem brasileiro é alienado e não gosta de política. Talvez porque política, no Brasil e em boa parte do mundo, se tornou sinônimo de corrupção. Estudar a política brasileira é estar de frente para um obra policial – muito mau acabada – onde intermináveis CPI’s são organizadas e nenhum parecer é publicado. A famosa iguaria italiana, “pizza”.
A desilusão e a descrença do jovem com a política pode estar, também, no fato de que os ideais, de transformar o nosso país em um lugar mais agradável para se viver, sejam esquecidos por algumas remessas de dinheiro ou acordos partidários. Chega eleição passa eleição e as reclamações e denúncias continuam. Sem contar que a maior esperança de renovação na política brasileira se tornou a maior frustração ao dar continuidade a um sistema antes criticado. A isso somamos o fato da nossa história não ter um espaço adequado na formação de nossas crianças e adolescentes. A história do Brasil é posta em tópicos para que o aluno estude para passar no vestibular e não para ser um cidadão.
Por isso, poucos conhecem a história dos movimentos estudantis e se interessam por elas. Será que essa geração “online” sabe quem foram os “caras pintadas”? Ou qual era o propósito? Bom, acesso a informações sobre o assunto eles têm, o que falta é interesse. Esse mesmo movimento que chamou a atenção do mundo e entrou para a história do Brasil está caindo no esquecimento da sociedade e, pior, não foi suficiente para mostrar que a participação jovem na cena política é mais do que importante, é fundamental. Mas, como participar de algo que não se conhece?É preciso incentivar a participação jovem na política brasileira. Não apenas em partidos, mas em todas as bases da sociedade. Do direito de votar ao dever de cobrar por igualdade social e melhoria da qualidade de vida. É necessário incentivá-los a agir e reagir por ele mesmo e pelo outro. Sendo pessoas ativas e construindo novos caminhos, escrevendo novas histórias. Segundo Karl Marx, “uma idéia torna-se uma força material quando ganhas às massas organizadas”. Os jovens sempre estiveram presentes nas grandes revoluções e movimentos sociais que marcaram época.
Mas é imprescindível lembrar o que o filósofo Platão ressaltou, que o primeiro e fundamental problema da política é que todo mundo acha que pode exercê-la, o que é um erro. Por isso é importante educar nossos jovens a avaliar o histórico e contribuições que cada candidato à vida pública traz, porque além de votar, é preciso fiscalizar, pois não basta reclamarmos, é necessário fazer com que os mandados eleitos sejam instrumentos do bem comum, de alfabetização política e justiça social.
Sei não. O jovem hoje é muito mais informado que há 15 anos. E isso fará toda a diferença. Mas a arena do embate político saiu das praças (não para sempre) e se dá no mundo virtual. Veja um movimento no Rio por meio do Orkut para protestar contra o resultado das eleições. Ou ainda a força financeira que Obama conseguiu através da internet.
O jovem é outro, pois os tempos são outros.
óTimo post!