Por Raquelli Natale – raquellinatale@yahoo.com.br
Os comentários sobre o crash do sistema financeiro americano alarmam a população quanto aos efeitos catastróficos que o mundo poderá sofrer. De certa forma, calcular perdas durante uma crise é mais fácil do que enxergar benefícios, mesmo porque apontar ganhos num momento de tensão pode parecer uma prática doidivanas.
A longa expansão mundial produziu atividades semelhantes às bolhas em tempos atrás. Entre as que marcaram história temos a bolha das ferrovias em 1880, a Wall Street em 1929, a da internet em 2000 e, por fim, a bolha imobiliária vivida agora. Todas tiveram um tempo de vida num ciclo de negócios que repetem o mesmo padrão: nascem, crescem desordenadamente e morrem.
Nesta perspectiva, deve-se ressaltar que os estouros das bolhas que causaram transtornos financeiros, antes, trouxeram grandes benefícios. A bolha ferroviária, por exemplo, possibilitou o transporte rápido e construção de marcas como Coca-Cola. A de 1929 trouxe a criação de órgãos de regulação do mercado de capitais e do sistema bancário e em 2000 tivemos a popularização do e-mail, do comércio eletrônico e a criação do Google.
Embora a crise americana esteja longe do fim, podemos citar de antemão os avanços do capital humano que ela proporcionou como a construção de infra-estrutura exuberante e a redução da miséria no mundo. Só no Brasil, 20 milhões de pessoas emergiram da pobreza, contra 400 milhões da China. A Índia passou a deter 65% do mercado mundial de tecnologia da informação e 46% do de Call Center. A República Checa duplicou a produção de automóveis, entre 2004 e 2007.
Olhando por esta óptica, as bolhas são necessárias à dinâmica do capitalismo. Segundo o escritor de negócios Daniel Cross “as bolhas são fenômenos econômicos recorrentes e, contrariamente ao que pode sugerir o senso comum, são benéficas mesmo após seu estouro”.
De acordo com os estudos de Cross, as crises impulsionam os próximos ciclos de prosperidade, preparando-nos para novas fases de exuberância econômica.
Dessa forma, o impacto do estouro das bolhas pode ser significativo. No caso do Brasil, a crise amenizou problemas, pois desaqueceu a demanda por crédito e commodities, tornando-a menor e mais sustentável. Isso ajudou a controlar a inflação, propiciando maior estabilidade financeira.
Outro efeito positivo é que durante o crescimento das bolhas muitas marcas se consolidam. Devido ao investimento em massa numa única veia mercadológica as empresas tendem a trabalhar com mais propagandas e promoções para alcançar o melhor market share (espaço no mercado). Essa infra-estrutura abstrata construída permanece inabalada e não se esfarela com o resto das falências disseminadas.
De fato, o capitalismo mundial produz prosperidade para todos, mas de tempos em tempos dissipa-se em crises globalizadas. Não queiramos nós fazer parte somente dos momentos afortunados, pois a história já nos mostrou que o que pavimenta os ciclos venturosos são momentos de depressão. Portanto, é, sem dúvida, sinal de grande sabedoria preparar-se para estes momentos e discernir na turbulência o melhor que se pode engendrar.
Raquelli Natale é publicitária.

O desenvolvimento de aparelhos eletrônicos e, até mesmo, a hibridização de funções em um só objeto – cite-se o celular com suas multifacetas (telefone, câmera filmadora, câmera fotográfica, MP3 player, rádio e etc) – ampliam e democratizam o poder de captura de momentos do real para o virtual, mesmo para aqueles sem nenhuma habilidade como fotógrafo ou cinegrafista.
No entanto, essa liberdade de publicações que a internet oferece, acarreta no problema da veracidade, da garantia quanto a qualidade da informação. A cada minuto, novas pessoas assinam a internet, novos computadores se interconectam, novas informações são injetadas na rede. Quanto mais o