
Novas tecnologias, meios de comunicação globais, possibilidade de a audiência fazer o seu próprio canal de informação, maior freqüência de zap (mudança de canal). Será que o rádio sobrevive ao século XXI?
Por: Luiz Eduardo Neves
Em 1950, com a inauguração da primeira emissora de televisão no Brasil, foi decretado o fim do rádio. Isso aconteceu também com a invenção do celular na década de 90. E atualmente o discurso continua com a internet.
Na realidade o rádio está se adaptando, ou melhor, se desenvolvendo com o advento das novas tecnologias. Segundo o radialista Namy Chequer “o que se inventou foi apropriado pelo rádio”. Ele citou a rede mundial de computadores como uma das principais fontes para a produção de seu programa de rádio.
O estudante de Letras-Português da UFES Marcos Ramos, de 19 anos, não acredita no fim do rádio, mas a muito tempo deixou de acessar o meio. “Hoje escuto muita música no computador e no meu MP3. Eu faço minha própria rádio”, afirma.
Informação
Não é só de música que sobrevivem as AMs e FMs, mas de informação.
O meio rádio é um canal imediatista. Acontece um engarrafamento, por exemplo, e os ouvintes ficarão sabendo a melhor rota alternativa por meio do repórter que está cobrindo a matéria ao vivo pelo celular.
A mesma agilidade é exigida da internet, mas “as notícias transmitidas pela rede são rasas e superficiais. A internet é complementar”, alerta Namy.
Tradição
Uma verdadeira surpresa em meio aos estudantes do campus da UFES é o futuro jornalista Marlon Marques, de 24 anos, que acompanha as tradicionais emissoras radiofônicas.
Ele também acredita que o rádio não vai acabar. “O que deve acontecer é partir para um mix de veículos, com um complementando o outro”, opina.
Estranho mesmo, para os tempos da pós-modernidade, é a reunião de pessoas para acompanhar um mesmo programa de rádio.
Marlon, além de escutar a programação da Universitária FM, senta-se com seu irmão na mesa da cozinha de sua casa para ouvir o programa diário de Namy Chequer. “Ele apresenta notícias do cotidiano sob um outro olhar, sendo sério e cômico ao mesmo tempo”, descreve o estudante.