Existir hoje

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Na pós-modernidade o tempo mede o valor do homem e das coisas em sua volta

Por Bruno Lyrab.r.l.322@bol.com.br

Segundo os gregos, o movimento altera a realidade, seja este movimento a simples deterioração da matéria ou nascimento, a realidade muda como fluxo do movimento.

O crash de 29, quebra da bolsa de Nova York, levou alguns empresários falidos ao suicídio. O que seria isso se não a relação de existir pelo capital? Quando o movimento do crash mudou a realidade do capital, mudou a forma do sujeito de se relacionar com a realidade, tornando plausível a não existência do corpo.

A burguesia moderna fez do proletariado uma fonte de mais-valia (lucro), desde o seu surgimento no feudalismo. O seu fortalecimento se deu com os conceitos da ética protestante, principalmente no que atribui o calvinismo, onde se propaga a idéia do divino interferindo na produção humana uma vez que o conceito de merecimento do paraíso é atribuído ao trabalho. Assim, fez do sujeito, ainda enquanto espírito, um ser alienado.

Ainda nesta relação, temos os indivíduos desprovidos de espírito, escravos, mão de obra açoitada pela imposição do trabalho duro e acorrentados às recompensas de não serem devidamente surrados por não cumprirem as exigências de seus senhores, seus patrões.

Os negros existiam apenas para trabalhar e quando não serviam para a função eram descartados, deixavam de existir para dar lugar a uma nova existência (mão de obra), um novo sujeito que existirá para produzir e não se reconhecer naquilo que se produz.

Na concepção marxista, há um mundo capitalista onde o trabalhador perde a significância de sua historia quando se resume ao significado simplório do ofício de “coisa”, cuja denominação não se estende além da força de trabalho.

Na dialética do filosofo Hegel, vemos o sujeito como reconhecedor de si na produção da cultura quando a reflexão sobre si o faz fluir na interiorização da idéia.

Mas quando colocamos o sujeito trabalhador ao viral ato do consumo, encontraremos uma contradição presente no homem fazendo valer a idéia de Carl Marx quando este contradiz a dialética de Hegel: o trabalhador não se reconhece naquilo que faz, o produto final de sua linha de produção, tornando o seu ofício técnico algo com valor estabelecido, e não um ser de idéias que estabelece valor.

Tão logo, o sujeito se perde ao se relacionar com o trabalho, tendo a existência dele estabelecida por relações de capital, sendo este o responsável pela hierarquização das classes, infiltrando na sociedade noções de mando que segmentam estas classes em dominantes e dominadas.

A esperança de que os males da economia não se tornem à deterioração da sociedade, faz levantar a bandeira do progresso, implorando pela figura de um outro – não vendo em si como provedor de sua realidade – salvador, tornando a sociedade ainda mais alienada.

urubuobamaA título de constatação temos a emblemática figura do atual presidente do Estados Unidos Barack Obama, intitulado como salvador da existência humana no movimento da crise, ignorando, talvez, que o indivíduo exista muito antes de existir a troca.

O homem é livre para escolher seus salvadores, livre para decidir por uma coisa mesmo sabendo que poderia ter escolhido outra, e ainda livre, é dominado pelos ícones da nossa realidade eleita por nós ou eleita por outro no nosso lugar. Submete-nos a esperar sempre por uma solução vindo do dominante salvador do capital, e assim deixe a sociedade existir até a próxima crise, um novo movimento sequente.

Se todo homem tem um preço é na crise onde se descobre o seu valor. Afinal, uma sociedade que se baseia na troca e que entende seus funcionários como números.

Certamente responde a questão de existência humana em uma simples equação onde zero é um conjunto inexistente, assim sendo, ainda que a produção da história seja fruto do homem, este se coloca como coadjuvante em sua trajetória quando o produto de si é ignorado por si e reconhecido no outro.

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