Archive for the 'biopoder' Category

Existir hoje

suicideurubu

Na pós-modernidade o tempo mede o valor do homem e das coisas em sua volta

Por Bruno Lyrab.r.l.322@bol.com.br

Segundo os gregos, o movimento altera a realidade, seja este movimento a simples deterioração da matéria ou nascimento, a realidade muda como fluxo do movimento.

O crash de 29, quebra da bolsa de Nova York, levou alguns empresários falidos ao suicídio. O que seria isso se não a relação de existir pelo capital? Quando o movimento do crash mudou a realidade do capital, mudou a forma do sujeito de se relacionar com a realidade, tornando plausível a não existência do corpo.

A burguesia moderna fez do proletariado uma fonte de mais-valia (lucro), desde o seu surgimento no feudalismo. O seu fortalecimento se deu com os conceitos da ética protestante, principalmente no que atribui o calvinismo, onde se propaga a idéia do divino interferindo na produção humana uma vez que o conceito de merecimento do paraíso é atribuído ao trabalho. Assim, fez do sujeito, ainda enquanto espírito, um ser alienado.

Ainda nesta relação, temos os indivíduos desprovidos de espírito, escravos, mão de obra açoitada pela imposição do trabalho duro e acorrentados às recompensas de não serem devidamente surrados por não cumprirem as exigências de seus senhores, seus patrões. Continue lendo ‘Existir hoje’

Amarga Desilusão

As eleições estão chegando e será que os jovens estão preparados para votar?

Por: Simone Patrocínio – simone_palmeira@yahoo.com.br

Estamos às portas de mais um grande espetáculo político, a eleição. Temos pela frente alguns poucos meses que se tornam eternos quando ligamos o rádio ou a televisão, lemos o jornal e temos de encarar os mesmos discursos de milagres e promessas de grandes feitos. Será que alguém ainda acredita? Talvez sim, muitos são eleitos. Os movimentos estratégicos e as jogadas “de mestre”, que todos os candidatos acreditam ter, já estão bem claros e óbvios aos olhos de nós eleitores. Nos bastidores, o leilão com os profissionais do marketing já está na reta final, se não já terminou. Já está claro também, para a sociedade, que a participação jovem praticamente não existe nessa cena política. No menu de opções, as combinações se repetem, sem surpresa.

Mesmo com partidos criados especialmente para jovens é impossível ignorar o fato de que a nossa urna eletrônica traz sempre as mesmas “carinhas”. A grande questão está na relação descompromissada do jovem com os assuntos da nossa política. Infelizmente já faz parte do senso comum a idéia de que o jovem brasileiro é alienado e não gosta de política. Talvez porque política, no Brasil e em boa parte do mundo, se tornou sinônimo de corrupção. Estudar a política brasileira é estar de frente para um obra policial – muito mau acabada – onde intermináveis CPI’s são organizadas e nenhum parecer é publicado. A famosa iguaria italiana, “pizza”.

A desilusão e a descrença do jovem com a política pode estar, também, no fato de que os ideais, de transformar o nosso país em um lugar mais agradável para se viver, sejam esquecidos por algumas remessas de dinheiro ou acordos partidários. Chega eleição passa eleição e as reclamações e denúncias continuam. Sem contar que a maior esperança de renovação na política brasileira se tornou a maior frustração ao dar continuidade a um sistema antes criticado. A isso somamos o fato da nossa história não ter um espaço adequado na formação de nossas crianças e adolescentes. A história do Brasil é posta em tópicos para que o aluno estude para passar no vestibular e não para ser um cidadão.

Por isso, poucos conhecem a história dos movimentos estudantis e se interessam por elas. Será que essa geração “online” sabe quem foram os “caras pintadas”? Ou qual era o propósito? Bom, acesso a informações sobre o assunto eles têm, o que falta é interesse. Esse mesmo movimento que chamou a atenção do mundo e entrou para a história do Brasil está caindo no esquecimento da sociedade e, pior, não foi suficiente para mostrar que a participação jovem na cena política é mais do que importante, é fundamental. Mas, como participar de algo que não se conhece?

É preciso incentivar a participação jovem na política brasileira. Não apenas em partidos, mas em todas as bases da sociedade. Do direito de votar ao dever de cobrar por igualdade social e melhoria da qualidade de vida. É necessário incentivá-los a agir e reagir por ele mesmo e pelo outro. Sendo pessoas ativas e construindo novos caminhos, escrevendo novas histórias. Segundo Karl Marx, “uma idéia torna-se uma força material quando ganhas às massas organizadas”. Os jovens sempre estiveram presentes nas grandes revoluções e movimentos sociais que marcaram época.

Mas é imprescindível lembrar o que o filósofo Platão ressaltou, que o primeiro e fundamental problema da política é que todo mundo acha que pode exercê-la, o que é um erro. Por isso é importante educar nossos jovens a avaliar o histórico e contribuições que cada candidato à vida pública traz, porque além de votar, é preciso fiscalizar, pois não basta reclamarmos, é necessário fazer com que os mandados eleitos sejam instrumentos do bem comum, de alfabetização política e justiça social.

Eu sou a informação.

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Um artigo sobre a cibercultura – um mundo cheio de incertezas e peças ainda fora do lugar.

Por: Luiz Eduardo Neves

A modernidade

O grande boom da pós-modernidade está ligado diretamente ao advento do computador. Mas essa analise não pode ficar centrada na máquina, e sim na transformação cultural que ela determina.

No início a comunicação do homem era por meio da oralidade – sem pouca abrangência, a história era passada de geração em geração sem registro algum. A escrita já possibilitou o desenvolvimento deu inicio ao saber de massa com os livros e mais a frente com o jornal impresso, aumentando a abrangência da informação. Com o computador surgiu a possibilidade bem maior possibilitar o acesso a uma informação, criando a chamada rede digital global, que viabiliza a integração mundial por meio da informação. Continue lendo ‘Eu sou a informação.’

Off Topic: Prova

A INTERNET como mídia de multidão e controle da vida
  Por Geize Miranda

Quando pensamos em multidão, logo vem à mente a idéia de um aglomerado de pessoas, simplesmente. Porém, Antônio Negri define MULTIDÃO como

“mais do que uma soma de cooperantes. É um conjunto de singuladaridades cooperantes que se apresentam como uma rede, uma network, um conjunto que define as singularidades em suas relações umas com as outras”.

Somos sujeitos com singularidade, ou seja, produzimos diferença. Se fôssemos apenas indivíduos, produziríamos apenas repetições do mundo. Enquanto indivíduos construímos relações com outros indivíduos.

Na internet não existe um ponto central que emite a informação e sim existe uma “multidão” promovendo trocas de informações.

Portanto, a internet também é uma mídia de multidão. Ela permite a relação de indivíduos através das comunidades virtuais. Porém, diferentemente dos meios de comunicação de massa, a internet permite que o indivíduo determine o seu existir e o não-existir.

Pierre Levy explica isso em Cibercultura:

“O ciberespaço como prática de comunicação interativa, recíproca, comunitária e intercomunitária, o ciberespaço como horizonte de mundo virtual vivo, heterogêneo e intotalizável no qual cada ser humano pode participar e contribuir”

“Uma comunidade virtual é construída sobre as afinidades de interesses, de conhecimento, sobre projetos mútuos, em um processo de cooperação ou de troca, tudo isso independentemente das proximidades geográficas e das filiações institucionais”.

As tecnologias de última geração facilitam a ação de comunicação e a troca de informações com velocidades e qualidades cada vez melhores.  Na base da pirâmide econômica e social, em larga escala, estão as populações que vivem à margem deste progresso. Para este grande público, o acesso à informação e à comunicação se dá, na maioria das vezes, por intermédio dos meios de comunicação em massa (ex: televisão e rádio).

A grande maioria da população não tem condições de contratar um serviço de tv por assinatura para se livrar da péssima qualidade dos programas que passam na tv convencional, por exemplo. É sabido que existem milhares de pessoas que valorizam a popularidade destes programas ao proporcionar índices de audiência elevados. Neste caso, o aspecto que influencia é meramente cultural ou educacional.

A internet veio para destruir a sociedade de massa.

A internet não afeta o espaço público, uma vez que o indivíduo é quem busca a informação. O que um indivíduo acessar não será transmitido automaticamente a todos os usuários, mas somente aos que desejarem obter as mesmas informações.

A Internet também é uma mídia de controle porque há mecanismo de controle que condificam os lugares por onde o internauta navegou como o protocolo TCP/IP. Ou até mesmo programas que controlam e podem bloquear no seu computador certas páginas da web.

Para Sandra Rodrigues Braga e Vânia Rubia Farias Vlach, professiras de Geogafia, “o biopoder, utilizando pseudo-argumentos biológicos, escolhe a quem deixar morrer. Para essa escolha, a partir do último quartel do século passado, passa-se a dispor de instrumentos altamente sofisticados, baseados em uma linguagem digital comum, por intermédio da qual a informação é gerada, armazenada, recuperada, processada e transmitida.”

O biopoder como a biopotência passam necessariamente, e hoje mais do que nunca, pelo corpo. O poder já não se exerce desde fora, nem de cima, mas como que por dentro, pilotando nossa vitalidade social de cabo a rabo. Não estamos mais às voltas com um poder transcendente, ou mesmo repressivo, trata-se de um poder imanente, produtivo. Como o mostrou Foucault, um tal biopoder não visa barrar a vida, mas tende a encarregar-se dela, intensificá-la, otimizá-la.


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