Archive for the 'cotidiano' Category

Rei do pop e seus fãs posers

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“Jacko”, além do seu potencial artístico e com o disco mais vendido de todos os tempos, já entra para história como sendo o único homem a nascer negro e morrer branco.

Por Janine Pozesjanine_pozes@hotmail.com

O que para o mundo é uma perda muito grande, não me abala tanto. Tá certo que o Michael Jackson era um ícone do cenário pop mundial, mas pra mim ele era um ser humano psicologicamente perturbado. Eu não tenho nada contra ele, muito pelo contrário, acho que ele merecia a denominação de “Rei do Pop”. Eu nunca fui fã e nem me tornei uma fã da noite para o dia só porque ele morreu. É extremamente estranho a quantidade de gente que só conhece uma música ou por ouvir todo mundo dizendo que o cara era bom, se autodenominam fãs. Engraçado que depois da morte, o cara em 24 horas triplicou a venda de CDs. Agora me diz: os artistas só têm valor depois que morrem?

Depois da morte de Jackson, apareceram várias pessoas dizendo que já fizeram algo para ele do tipo “segurei o guarda-sol pra ele”, “tenho o sofá que ele descansou durante as gravações”, “Levei água pra ele” e por aí vai.

Um fato engraçado foi o clipe de nome “They Don’t Care About Us” gravado no Brasil em 1996. No dia da estréia do clipe, tão aguardada pelos brasileiros, principalmente por moradores do morro de Santa Marta no Rio de Janeiro e do Pelourinho em Salvador, aconteceu uma inesperada mudança de planos.

Michael Jackson que havia produzido uma segunda versão para o videoclipe, com cenas de brigas, crianças com fome e cenas em um presídio fictício, utilizou esta versão para a estréia e foi ela que ficou bastante conhecida nos EUA e Europa, e onde está o Brasil nessa história? Fácil, nos 3 segundos finais do clipe lançado. Continue lendo ‘Rei do pop e seus fãs posers’

Protesto gera engarrafamento de motos

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Motociclistas realizam protesto na Segunda Ponte e acabam gerando engarrafamento inédito na Grande Vitória

Por Luiz Eduardo Neves – dudunews@hotmail.com

Na manhã da sexta-feira (17/04), motociclistas fecharam o trânsito na Segunda Ponte para protrestar contra o projeto de lei que os proíbe de dirigirem pelos chamados “corredores” das ruas.

Por impedimento causado pelo protesto, uns 100 metros depois de onde estavam os manifestantes, três ônibus e dois caminhões fecharam o acesso aos corredores. Por isso, outros motociclistas não poderam passaram pelo, causando um engarrafamento de motos – coisa que não se vê no dia-a-dia. Taí mais um motivo para não haver a proibição dos “corredores”.

Há quinze anos ando de moto e nunca vi algo assim – tantas motos paradas num engarrafamento.

Será que, se a lei proibitiva do tráfego de motocicletas nos corredores entrar em vigor, ainda valerá a pena ter um veículo ágil que consome menos espaço e gasolina? Pelo menos na manha da última sexta vi como ficaria muito pior o caos do trânsito da Grande Vitória-ES.

Abaixo, vídeo comprovando mais esse futuro transtorno:

Entrevista com Felipe Macedo

Presidente da Federação de Cineclubes de São Paulo dá sua opinião sobre o fim do Cineart

No início de 2008, o Cineart Glória foi reformado e, em março, reinaugurado com grandes expectativas de melhoras em sua programação de filmes, que, além de cinema, abrigaria outros eventos culturais. Porém, logo após sua reabertura, em abril, o Cineart foi fechado definitivamente para se tornar uma igreja evengélica.

Sobre esse contexto, a equipe do Boca do Lixo conversou por e-mail com o assessor de Relações Internacionais do Conselho Nacional de Cineclubes Brasileiros, Felipe Macedo, também diretor do Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo, que, neste ano, chega a 4ª edição.

BOCA DO LIXO – O fim do Cineart marca o fim definitivo dos cinemas de bairro da Grande Vitória. Por qual motivo as salas de exibição de filmes de bairro perderam tanta força através dos anos?
felipe macedoFELIPE MACEDO (FOTO) – A partir dos anos 80, as empresas americanas de distribuição se concentraram em apenas três – em alguns momentos só duas – não por processos de aquisição ou fusão, mas sob a batuta da Motion Pictures Association. Nos EUA, elas continuavam empresas separadas, aqui se cartelizaram. Os territórios foram abolidos e fechados os escritórios regionais. Estruturadas como monopólio, as empresas passaram a ditar os preços sem concorrência: num espaço de tempo reduzidíssimo faliram aos magotes os pequenos exibidores, desapareceram os cinemas nas cidades pequenas, depois nas médias, nos bairros. Enfim, cerca de 80% das salas de cinema fecharam em poucos anos.

O modelo e o controle da distribuição determinam o estado da exibição. O cinema deixou de ser divertimento popular, passou a ser entretenimento para as elites, concentradas em algumas grandes “praças”, com um ingresso muitas vezes mais caro do que o valor histórico até então. A administração da distribuição ficou mais barata e o aumento do ingresso compensou a diminuição de salas.

BL – Praticamente todas as grandes salas de cinema da GV (Paz, Santa Cecilia e, agora, Cineart), mesmo que por uma baita coincidência, viraram igrejas evangélicas. O que você acha desse fenômeno: lugares que eram espaços para a cultura virarem lugares voltados à religião?
FM
– Pessoalmente, acho péssimo. A religião é um elemento de alienação ainda pior que o pior cinema possível. Mas, dadas as características dos espaços vagos, e a evolução do mercado imobiliário, grandes espaços de antigos cinemas têm que ser ocupados por estacionamentos, supermercados e outras lojas de grande superfície, como os templos onde se negocia o divino.

Continue lendo ‘Entrevista com Felipe Macedo’

Barreirinha em chamas

barreirinha em chamas by luiz eduardo nevesQueimada para limpar loteamento quase termina em tragédia em Cariacica

Por Luiz Eduardo Nevesdudunews@hotmail.com

A foto acima é apenas um exemplo das perigosas queimadas urbanas – prática comum no morro da Barreirinha, em Jardim América, Cariacica-ES. Por conta de mais uma queimada para limpar um lote baldio, quase a tarde do sábado (07/03) termina em tragédia se não fosse o Corpo de Bombeiros.

barreirinhaopenOs bombeiros conseguiram apagar o fogo que começou a se alastrar para além do terreno incendiado, alcançando até a mata que margeia a nascente de um rio no pé do morro.

A fumaça alcançou casas que estão a quase um quilometro da Barreirinha. Imagine, então, o perigo para as residências vizinhas.

Por causa do loteamento e expansão imobiliária, queimadas são muito comuns no local.

Leia mais aqui.

O outro lado da bolha

Por Raquelli Nataleraquellinatale@yahoo.com.br

bolha imobiliariaOs comentários sobre o crash do sistema financeiro americano alarmam a população quanto aos efeitos catastróficos que o mundo poderá sofrer. De certa forma, calcular perdas durante uma crise é mais fácil do que enxergar benefícios, mesmo porque apontar ganhos num momento de tensão pode parecer uma prática doidivanas.

A longa expansão mundial produziu atividades semelhantes às bolhas em tempos atrás. Entre as que marcaram história temos a bolha das ferrovias em 1880, a Wall Street em 1929, a da internet em 2000 e, por fim, a bolha imobiliária vivida agora. Todas tiveram um tempo de vida num ciclo de negócios que repetem o mesmo padrão: nascem, crescem desordenadamente e morrem.

bola de cristalNesta perspectiva, deve-se ressaltar que os estouros das bolhas que causaram transtornos financeiros, antes, trouxeram grandes benefícios. A bolha ferroviária, por exemplo, possibilitou o transporte rápido e construção de marcas como Coca-Cola. A de 1929 trouxe a criação de órgãos de regulação do mercado de capitais e do sistema bancário e em 2000 tivemos a popularização do e-mail, do comércio eletrônico e a criação do Google.

Embora a crise americana esteja longe do fim, podemos citar de antemão os avanços do capital humano que ela proporcionou como a construção de infra-estrutura exuberante e a redução da miséria no mundo. Só no Brasil, 20 milhões de pessoas emergiram da pobreza, contra 400 milhões da China. A Índia passou a deter 65% do mercado mundial de tecnologia da informação e 46% do de Call Center. A República Checa duplicou a produção de automóveis, entre 2004 e 2007.

Olhando por esta óptica, as bolhas são necessárias à dinâmica do capitalismo. Segundo o escritor de negócios Daniel Cross “as bolhas são fenômenos econômicos recorrentes e, contrariamente ao que pode sugerir o senso comum, são benéficas mesmo após seu estouro”.

De acordo com os estudos de Cross, as crises impulsionam os próximos ciclos de prosperidade, preparando-nos para novas fases de exuberância econômica.

bolha11Dessa forma, o impacto do estouro das bolhas pode ser significativo. No caso do Brasil, a crise amenizou problemas, pois desaqueceu a demanda por crédito e commodities, tornando-a menor e mais sustentável. Isso ajudou a controlar a inflação, propiciando maior estabilidade financeira.

Outro efeito positivo é que durante o crescimento das bolhas muitas marcas se consolidam. Devido ao investimento em massa numa única veia mercadológica as empresas tendem a trabalhar com mais propagandas e promoções para alcançar o melhor market share (espaço no mercado). Essa infra-estrutura abstrata construída permanece inabalada e não se esfarela com o resto das falências disseminadas.

De fato, o capitalismo mundial produz prosperidade para todos, mas de tempos em tempos dissipa-se em crises globalizadas. Não queiramos nós fazer parte somente dos momentos afortunados, pois a história já nos mostrou que o que pavimenta os ciclos venturosos são momentos de depressão. Portanto, é, sem dúvida, sinal de grande sabedoria preparar-se para estes momentos e discernir na turbulência o melhor que se pode engendrar.

Raquelli Natale é publicitária.

Pequenos clássicos capixabas

Tendo em vista a dinâmica contemporânea do ato do registro frenético de nosso cotidiano para posterior divulgação em canais midiáticos e de relacionamento, como o Orkut, fotologs e blogs, encontrei posts capixabas que já são hits no YouTube.

O primeiro é o curtíssimo “Pilota de Fulga”.  O vídeo mostra a derrocada da menina Klarice ao tirar onda com a sua motocicleta, acelerando-a até uma esquina e, em seguida, caindo ao bater num carro por conta de sua desatenção. Distração essa causada por conta de uma breve pose para a máquina que registrava toda a cena.

O acidente de Klarice já foi repostado por vários avatares e visto pelo menos umas 160.0000 vezes. Um verdadeiro hit by Cocal, bairro do município de Vila Velha, no Espírito Santo.

A segunda sessão da busca pela audiência alheia para a própria novela da vida privada é o nascimento da menina Elis, cujo pai disponibilizou 1min49seg de seu nascimento em rede mundial. O post já alcançou as 66.059 exibições desde o dia 5 de agosto deste ano até agora.

O mal da pós-modernidade

Os seus 15 minutos de fama podem estar a uma tecla do celular ou no upload de um vídeo caseiro qualquer no YouTube.

Por Luiz Eduardo Nevesdudunews@hotmail.com

multidao21

Mundo moderno, gente moderna, lógica moderna. Na verdade, o termo para adjetivar os sujeitos da frase anterior deve ser pós-moderno. Ou seja, tudo aquilo que perpassa por esses tempos atuais – uma era mais voltada para o cognitivo e menos para o repetitivo.

Um dos marcos para tal mudança está na segunda metade dos anos 70, quando a televisão deixa de ser um suporte com sua única função: ser assistida. Os avanços da tecnologia, que introduziram as transmissões via satélite, a padronização do sistema VHS e os serviços de cabo bidirecionais, permitiram o início da interatividade.

O indivíduo pós-industrial continua individualista, porém, como a geração anterior, os personagens do novo milênio ainda vivem num habitat feito para a massa. No entanto, o sujeito tenta dar o seu último suspiro.

As engrenagens de um tempo em que o trabalhador termina o dia com a alma cansada e com o corpo mole, pronto para ligar a TV e se deixar levar, também abrem espaço para outra opção: o computador – aparelho ainda não acessível a maioria, porém mais atrativo por combinar, além do audiovisual, a possibilidade de interação. E interação hoje é fazer parte do processo de construção da informação, é fazer parte da mídia, é aparecer.

bruceleecellphoneO desenvolvimento de aparelhos eletrônicos e, até mesmo, a hibridização de funções em um só objeto – cite-se o celular com suas multifacetas (telefone, câmera filmadora, câmera fotográfica, MP3 player, rádio e etc) – ampliam e democratizam o poder de captura de momentos do real para o virtual, mesmo para aqueles sem nenhuma habilidade como fotógrafo ou cinegrafista.

As pessoas não querem apenas falar daquilo que, há uns 10 anos, não tinham chance de fazer – opinar sobre alguma notícia no jornal, por exemplo, ou contribuir com o conteúdo de tal mídia. O ser contemporâneo precisa ser a manchete, a capa da revista, o astro da novela. Todos querem ter os seus 15 minutos de fama.

Entretanto, é realmente difícil fazer de conta que não acontece nada e viver a vida achando estar fora do processo de espetacularização do cotidiano. Preste atenção no conteúdo dos noticiários. A máquina que pauta o nosso dia-a-dia funciona com o seu combustível, o sensacional e o trágico. E quanto mais melhor. Alguém assassinado por apenas um tiro não é notícia. Sem contar os escândalos da semana. Alguém ouviu falar do caso da menina Isabela nas últimas semanas?

O mal desses dias pós-modernos pode ser a busca pela fama a qualquer custo, de forma vazia, sem motivo ou arte alguma, através dos Big Brothers e Ídolos, que enchem os olhos de milhões de pessoas sedentas por um pedaço da vida alheia.

Porém, ao desenvolver a habilidade com as tecnologias da comunicação, como a gravação de vídeos digitais e a postagem de artigos em blogs, o “homem outdoor” vai em busca da sua visibilidade.

É um grito contra o monopólio e a centralização da produção da informação. Deixamos de ser apenas receptores para subir ao posto de produtores.

matrixuruburei1No entanto, essa liberdade de publicações que a internet oferece, acarreta no problema da veracidade, da garantia quanto a qualidade da informação. A cada minuto, novas pessoas assinam a internet, novos computadores se interconectam, novas informações são injetadas na rede. Quanto mais o ciberespaço se estende, mais universal se torna. Novas maneiras de pensar e de conviver estão sendo elaboradas no mundo das telecomunicações e da informática.

Tais experimentações, no campo dos veículos de comunicação tradicionais, como o rádio e a televisão, estão aquém das possibilidades de interface e funções proporcionadas pelo computador. Por outro lado, os PCs ainda precisam de desenvolvimento tecnológico, pois há limitação no que diz respeito à flexibilidade oferecida pelo controle remoto da TV, por exemplo.

As divergências da tecnologia da informação se expandem ao campo humano. Em meio a passagem de tempo entre o analógico e o digital, o usuário contemporâneo convive com o dilema de manter-se ou não integrado a uma cultura de massa limitada, estagnado na tradicional recepção passiva.


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