Archive for the 'crise financeira' Category

Existir hoje

suicideurubu

Na pós-modernidade o tempo mede o valor do homem e das coisas em sua volta

Por Bruno Lyrab.r.l.322@bol.com.br

Segundo os gregos, o movimento altera a realidade, seja este movimento a simples deterioração da matéria ou nascimento, a realidade muda como fluxo do movimento.

O crash de 29, quebra da bolsa de Nova York, levou alguns empresários falidos ao suicídio. O que seria isso se não a relação de existir pelo capital? Quando o movimento do crash mudou a realidade do capital, mudou a forma do sujeito de se relacionar com a realidade, tornando plausível a não existência do corpo.

A burguesia moderna fez do proletariado uma fonte de mais-valia (lucro), desde o seu surgimento no feudalismo. O seu fortalecimento se deu com os conceitos da ética protestante, principalmente no que atribui o calvinismo, onde se propaga a idéia do divino interferindo na produção humana uma vez que o conceito de merecimento do paraíso é atribuído ao trabalho. Assim, fez do sujeito, ainda enquanto espírito, um ser alienado.

Ainda nesta relação, temos os indivíduos desprovidos de espírito, escravos, mão de obra açoitada pela imposição do trabalho duro e acorrentados às recompensas de não serem devidamente surrados por não cumprirem as exigências de seus senhores, seus patrões. Continue lendo ‘Existir hoje’

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O outro lado da bolha

Por Raquelli Nataleraquellinatale@yahoo.com.br

bolha imobiliariaOs comentários sobre o crash do sistema financeiro americano alarmam a população quanto aos efeitos catastróficos que o mundo poderá sofrer. De certa forma, calcular perdas durante uma crise é mais fácil do que enxergar benefícios, mesmo porque apontar ganhos num momento de tensão pode parecer uma prática doidivanas.

A longa expansão mundial produziu atividades semelhantes às bolhas em tempos atrás. Entre as que marcaram história temos a bolha das ferrovias em 1880, a Wall Street em 1929, a da internet em 2000 e, por fim, a bolha imobiliária vivida agora. Todas tiveram um tempo de vida num ciclo de negócios que repetem o mesmo padrão: nascem, crescem desordenadamente e morrem.

bola de cristalNesta perspectiva, deve-se ressaltar que os estouros das bolhas que causaram transtornos financeiros, antes, trouxeram grandes benefícios. A bolha ferroviária, por exemplo, possibilitou o transporte rápido e construção de marcas como Coca-Cola. A de 1929 trouxe a criação de órgãos de regulação do mercado de capitais e do sistema bancário e em 2000 tivemos a popularização do e-mail, do comércio eletrônico e a criação do Google.

Embora a crise americana esteja longe do fim, podemos citar de antemão os avanços do capital humano que ela proporcionou como a construção de infra-estrutura exuberante e a redução da miséria no mundo. Só no Brasil, 20 milhões de pessoas emergiram da pobreza, contra 400 milhões da China. A Índia passou a deter 65% do mercado mundial de tecnologia da informação e 46% do de Call Center. A República Checa duplicou a produção de automóveis, entre 2004 e 2007.

Olhando por esta óptica, as bolhas são necessárias à dinâmica do capitalismo. Segundo o escritor de negócios Daniel Cross “as bolhas são fenômenos econômicos recorrentes e, contrariamente ao que pode sugerir o senso comum, são benéficas mesmo após seu estouro”.

De acordo com os estudos de Cross, as crises impulsionam os próximos ciclos de prosperidade, preparando-nos para novas fases de exuberância econômica.

bolha11Dessa forma, o impacto do estouro das bolhas pode ser significativo. No caso do Brasil, a crise amenizou problemas, pois desaqueceu a demanda por crédito e commodities, tornando-a menor e mais sustentável. Isso ajudou a controlar a inflação, propiciando maior estabilidade financeira.

Outro efeito positivo é que durante o crescimento das bolhas muitas marcas se consolidam. Devido ao investimento em massa numa única veia mercadológica as empresas tendem a trabalhar com mais propagandas e promoções para alcançar o melhor market share (espaço no mercado). Essa infra-estrutura abstrata construída permanece inabalada e não se esfarela com o resto das falências disseminadas.

De fato, o capitalismo mundial produz prosperidade para todos, mas de tempos em tempos dissipa-se em crises globalizadas. Não queiramos nós fazer parte somente dos momentos afortunados, pois a história já nos mostrou que o que pavimenta os ciclos venturosos são momentos de depressão. Portanto, é, sem dúvida, sinal de grande sabedoria preparar-se para estes momentos e discernir na turbulência o melhor que se pode engendrar.

Raquelli Natale é publicitária.


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