Archive for the 'desigualdade' Category

Existir hoje

suicideurubu

Na pós-modernidade o tempo mede o valor do homem e das coisas em sua volta

Por Bruno Lyrab.r.l.322@bol.com.br

Segundo os gregos, o movimento altera a realidade, seja este movimento a simples deterioração da matéria ou nascimento, a realidade muda como fluxo do movimento.

O crash de 29, quebra da bolsa de Nova York, levou alguns empresários falidos ao suicídio. O que seria isso se não a relação de existir pelo capital? Quando o movimento do crash mudou a realidade do capital, mudou a forma do sujeito de se relacionar com a realidade, tornando plausível a não existência do corpo.

A burguesia moderna fez do proletariado uma fonte de mais-valia (lucro), desde o seu surgimento no feudalismo. O seu fortalecimento se deu com os conceitos da ética protestante, principalmente no que atribui o calvinismo, onde se propaga a idéia do divino interferindo na produção humana uma vez que o conceito de merecimento do paraíso é atribuído ao trabalho. Assim, fez do sujeito, ainda enquanto espírito, um ser alienado.

Ainda nesta relação, temos os indivíduos desprovidos de espírito, escravos, mão de obra açoitada pela imposição do trabalho duro e acorrentados às recompensas de não serem devidamente surrados por não cumprirem as exigências de seus senhores, seus patrões. Continue lendo ‘Existir hoje’

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Palmares, um mau exemplo!

Contra ou não, a sociedade tem uma dívida para com as pessoas de pele negra, que historicamente sofrem com a desigualdade.

Por: Júnior Silva – medro59@yahoo.com.br

Recentemente li um artigo em uma grande revista de circulação nacional onde seu autor fazia críticas ao sistema de cotas para negros nas universidades públicas tentando desqualificar a palavra Quilombo, uma experiência das mais caras para a nossa história das lutas populares contra o elitismo e suas políticas e economias desumanas.

Ora, é claro que no vestibular, o computador que faz a leitura dos cartões de respostas e os professores que corrigem as provas discursivas não estão vendo se o candidato é negro ou branco. No entanto, a discriminação não está aí, e sim no caminho percorrido pelo candidato até chegar ao vestibular. Como podemos falar que o vestibular não é discriminatório, se ele leva em conta apenas o conhecimento adquirido pela educação formal? Na verdade, não está sendo avaliado o potencial do indivíduo, mas sim a qualidade de acesso que ele pode ter à informação e formação. Quantos filhos de negros podem apenas estudar, dedicando todo o seu tempo apenas a se formar e informar? Sabemos que, todas as estatísticas nunca mostraram os negros com renda e poder aquisitivo maior que os brancos, por isso, não é difícil concluir que os filhos dos negros têm menos acesso a internet, aquisição de livros, viagens que ampliem as experiências cognitivas e concretas sobre a história e geografia e até mesmo assistir às aulas melhor alimentado, o que também faz grande diferença na qualidade do aprendizado. É claro que, uma parte significativa da população branca também sofre todas essas privações, mas a segregação gera uma potencialização ainda mais nefasta desse quadro.

É necessário, sim, uma reparação social aos negros pelo que a elite branca desse país fez e continua fazendo. Se os defensores dessa nossa democracia burguesa, que é responsável por esse modelo de vestibular, acreditam realmente nela, deveriam como bons burgueses democratas, assumir esse ônus que é social.

É exatamente por isso que, neste momento, existe uma elite branca amedrontada com a proporção que a discussão sobre cotas tem tomado. É um grupo que, historicamente sempre esteve no poder, e que, pela primeira vez foi “convidado” a dividi-lo.

No passado, o Quilombo de Palmares se tornou o pesadelo dos donos de escravos e terras do nordeste brasileiro, tanto que, foi feito um dos maiores esforços econômicos e políticos da época para acabar com o Quilombo. Donos de terras e escravos da Paraíba, Rio Grande do Norte, Bahia e Maranhão se uniram e contrataram o mercenário Domingos Jorge Velho para liquidar com Palmares. Este enorme esforço tinha um bom motivo:

Palmares se tornava cada vez mais conhecido, não só por ser um refúgio, mas, também por ter se tornado um exemplo de comunidade coletiva, sem propriedade privada, com uso coletivo das terras de maneira equilibrada e sem discriminação. Em uma colônia onde a propriedade privada e concentração das terras nas mãos de uma pequena elite branca lhes garantia privilégio e poder político, Palmares se apresentava como um mau exemplo, que poderia levar toda a sociedade a questionar aquela concentração de riquezas.

É por estas questões que as cotas hoje se apresentam como um novo Palmares, pois elas são um “mau” exemplo que já colocaram em xeque o discurso da competência e dos méritos individuais. Como podemos julgar méritos e competências em uma sociedade onde não existe igualdade de acesso a informação, educação, alimentação de qualidade, e, além dessas privações, ainda ser segregado.

Idiota é quem sabe e não viu

Ilha das Flores é um clássico atual e arrebatador.

Por: Luiz Eduardo Neves.

É uma vergonha para alguém que diz ser cinéfilo. Mas é isso que senti, pois só conheci a obra prima de Jorge Furtado nesses dias. Ilha das Flores é um curta-metragem que diz tudo em apenas 13 minutos.

Também não vou tentar me redimir dizendo que pesquisei os vídeos do diretor e topei com Ilha. Na verdade, foi quase isso.

Escutei o nome da criança pela primeira vez em uma aula do curso de jornalismo, na qual um dos meus colegas de classe perguntou se o professor já havia assistido o tal filme. Com a negativa do mestre, o rosto do aluno ficou com uma expressão de “porra, que idiota”. Tudo bem, pois saber mais em alguma coisa do que um cara que está lá para te ensinar vale uma tiração de onda. O problema foi eu também vestir a carapuça de idiota. E isso durou apenas 2 segundos.

Depois só lembrei do fato quando, num dia ao arrumar o meu armário, encontrei um dvd com as obras de Jorge Furtado, que a muito copiara de uma amiga.

O lance foi colocar o piratão para rodar e assistir o tão comentado Ilha das Flores.

Quando terminou senti um misto de exaltação por ter passado por uma experiência audiovisual chocante (e consciente) e um questionamento do porque não havia passado por aquilo antes.

A história conta a trajetória de um tomate, desde a plantação até ser jogado no lixo. Aos olhos do espectador o processo de geração de riqueza e as desigualdades surgem no meio do caminho.

Não se sinta um idiota. Assista o curta pelo Porta Curtas ou abaixo:


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