Archive for the 'sustentabilidade' Category

Existir hoje

suicideurubu

Na pós-modernidade o tempo mede o valor do homem e das coisas em sua volta

Por Bruno Lyrab.r.l.322@bol.com.br

Segundo os gregos, o movimento altera a realidade, seja este movimento a simples deterioração da matéria ou nascimento, a realidade muda como fluxo do movimento.

O crash de 29, quebra da bolsa de Nova York, levou alguns empresários falidos ao suicídio. O que seria isso se não a relação de existir pelo capital? Quando o movimento do crash mudou a realidade do capital, mudou a forma do sujeito de se relacionar com a realidade, tornando plausível a não existência do corpo.

A burguesia moderna fez do proletariado uma fonte de mais-valia (lucro), desde o seu surgimento no feudalismo. O seu fortalecimento se deu com os conceitos da ética protestante, principalmente no que atribui o calvinismo, onde se propaga a idéia do divino interferindo na produção humana uma vez que o conceito de merecimento do paraíso é atribuído ao trabalho. Assim, fez do sujeito, ainda enquanto espírito, um ser alienado.

Ainda nesta relação, temos os indivíduos desprovidos de espírito, escravos, mão de obra açoitada pela imposição do trabalho duro e acorrentados às recompensas de não serem devidamente surrados por não cumprirem as exigências de seus senhores, seus patrões. Continue lendo ‘Existir hoje’

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O Buraco do Ozônio

Autor: Cícero Lins de Moura

Nunca fiz uma queimada
Não desmatei Amazônia
Não provoquei a insônia
da gente ameaçada.
Não sou parte da cambada
Não mandei matar “Anatônio”,
Agora quero saber
o que eu tenho a ver
com o buraco do Ozônio.

Não fabriquei o “spray”
Não joguei lixo no rio,
Nem junto ao meio-fio,
onde estacionei.
Não fui eu que entreguei
nossas matas ao “Sinfrônio”,
pra crescer meu patrimônio…
Eu queria entender;
o que eu tenho a ver
com o buraco do Ozônio.

Não poluí o espaço
Não fabriquei foguetório
Nada fiz de “explosório”,
provocando estardalhaço.
Não aumentei o mormaço
que cozinha o neurônio
na cuca do “Teotônio”…
Não posso compreender
o qu eu tenho a ver
com o buraco do Ozônio.

Nunca mexi no buraco
do Ozônio, ou de alguém,
e, agora, você vem
querendo encher o meu saco.
Deixe de balacobaco…
Vá cobrar do “Zé Bertônio”,
depois venha me dizer
o que eu tenho a ver
com o buraco do Ozônio.

FIM

Fonte: Folheto número 65 da Coleção Cordel Cicatriz

Barreirinha em chamas

barreirinha em chamas by luiz eduardo nevesQueimada para limpar loteamento quase termina em tragédia em Cariacica

Por Luiz Eduardo Nevesdudunews@hotmail.com

A foto acima é apenas um exemplo das perigosas queimadas urbanas – prática comum no morro da Barreirinha, em Jardim América, Cariacica-ES. Por conta de mais uma queimada para limpar um lote baldio, quase a tarde do sábado (07/03) termina em tragédia se não fosse o Corpo de Bombeiros.

barreirinhaopenOs bombeiros conseguiram apagar o fogo que começou a se alastrar para além do terreno incendiado, alcançando até a mata que margeia a nascente de um rio no pé do morro.

A fumaça alcançou casas que estão a quase um quilometro da Barreirinha. Imagine, então, o perigo para as residências vizinhas.

Por causa do loteamento e expansão imobiliária, queimadas são muito comuns no local.

Leia mais aqui.

O outro lado da bolha

Por Raquelli Nataleraquellinatale@yahoo.com.br

bolha imobiliariaOs comentários sobre o crash do sistema financeiro americano alarmam a população quanto aos efeitos catastróficos que o mundo poderá sofrer. De certa forma, calcular perdas durante uma crise é mais fácil do que enxergar benefícios, mesmo porque apontar ganhos num momento de tensão pode parecer uma prática doidivanas.

A longa expansão mundial produziu atividades semelhantes às bolhas em tempos atrás. Entre as que marcaram história temos a bolha das ferrovias em 1880, a Wall Street em 1929, a da internet em 2000 e, por fim, a bolha imobiliária vivida agora. Todas tiveram um tempo de vida num ciclo de negócios que repetem o mesmo padrão: nascem, crescem desordenadamente e morrem.

bola de cristalNesta perspectiva, deve-se ressaltar que os estouros das bolhas que causaram transtornos financeiros, antes, trouxeram grandes benefícios. A bolha ferroviária, por exemplo, possibilitou o transporte rápido e construção de marcas como Coca-Cola. A de 1929 trouxe a criação de órgãos de regulação do mercado de capitais e do sistema bancário e em 2000 tivemos a popularização do e-mail, do comércio eletrônico e a criação do Google.

Embora a crise americana esteja longe do fim, podemos citar de antemão os avanços do capital humano que ela proporcionou como a construção de infra-estrutura exuberante e a redução da miséria no mundo. Só no Brasil, 20 milhões de pessoas emergiram da pobreza, contra 400 milhões da China. A Índia passou a deter 65% do mercado mundial de tecnologia da informação e 46% do de Call Center. A República Checa duplicou a produção de automóveis, entre 2004 e 2007.

Olhando por esta óptica, as bolhas são necessárias à dinâmica do capitalismo. Segundo o escritor de negócios Daniel Cross “as bolhas são fenômenos econômicos recorrentes e, contrariamente ao que pode sugerir o senso comum, são benéficas mesmo após seu estouro”.

De acordo com os estudos de Cross, as crises impulsionam os próximos ciclos de prosperidade, preparando-nos para novas fases de exuberância econômica.

bolha11Dessa forma, o impacto do estouro das bolhas pode ser significativo. No caso do Brasil, a crise amenizou problemas, pois desaqueceu a demanda por crédito e commodities, tornando-a menor e mais sustentável. Isso ajudou a controlar a inflação, propiciando maior estabilidade financeira.

Outro efeito positivo é que durante o crescimento das bolhas muitas marcas se consolidam. Devido ao investimento em massa numa única veia mercadológica as empresas tendem a trabalhar com mais propagandas e promoções para alcançar o melhor market share (espaço no mercado). Essa infra-estrutura abstrata construída permanece inabalada e não se esfarela com o resto das falências disseminadas.

De fato, o capitalismo mundial produz prosperidade para todos, mas de tempos em tempos dissipa-se em crises globalizadas. Não queiramos nós fazer parte somente dos momentos afortunados, pois a história já nos mostrou que o que pavimenta os ciclos venturosos são momentos de depressão. Portanto, é, sem dúvida, sinal de grande sabedoria preparar-se para estes momentos e discernir na turbulência o melhor que se pode engendrar.

Raquelli Natale é publicitária.

O Canal Bigossi, escondido pela Terceira Ponte, polui a Baía de Vitória e praias do entorno.

Obras do Canal Bigossi começaram em maio, mas não se fala em tratamento de suas águas, que, contaminadas, são despejadas no mar.

Por Luiz Eduardo Nevesdudunews@hotmail.com

As eleições municipais estão aí, uma imensidão de candidatos e de promessas também. Promessas que projetos para melhorar Vila Velha em questões como Saúde, Educação, Segurança, Trânsito e Desenvolvimento. A questão de quando se fala em desenvolvimento é: como se dá esse progresso?

Em época de jargões como “desenvolvimento sustentável” e “responsabilidade ecológica”, o que vemos ainda hoje é a falta de sensibilidade para com o meio ambiente. O cartão de visita da cidade, logo ao descer da Terceira Ponte, é um valão a céu aberto, que deságua no mar sem tratamento algum.

O Canal da Costa, conhecido atualmente como Canal Bigossi, tinha dunas de areia branca e água limpa, contudo, hoje, a realidade é outra. O Canal da Costa juntamente com outros pontos de contato com o mar recebem setenta e seis por cento do esgoto sanitário sem tratamento da Grande Vitória.

Em Vila Velha, a maior parte do esgoto sanitário não recebe tratamento, sendo despejado diretamente na rede pluvial da Prefeitura e conduzido por esta até o mar, por meio do Canal da Costa, deixando em toda a sua extensão um rastro de poluição e, conseqüentemente, o mau cheiro.

No caso do Bigossi, os efluentes domésticos, industriais, entre outros, são lançados no mar embaixo da Terceira Ponte, na entrada da Baía de Vitória, contaminando e prejudicando diretamente o ecossistema litorâneo, com metais pesados e outras substâncias que são também nocivas à saúde humana (contato com essas águas, consumo de peixes e frutos do mar e etc.).

Esta agressão contínua e ininterrupta à natureza atinge as principais praias da região da Grande Vitória, como a Praia de Camburi, Praia da Costa, Itapuã, Itaparica e adjacências, pelo fenômeno da dispersão dos materiais, influenciado pelas correntes marinhas.

Novela

Saber de quem era a responsabilidade para melhorias do Bigossi foi uma novela que se arrastou por anos. Entre o “empurra empurra” da prefeitura para o governo e vice-versa, chegou-se a cogitar esse encargo para a Rodosol por conta da concessão para administrar a Terceira Ponte e a Rodovia do Sol.

Por fim, no dia 19 de maio deste ano, começaram as obras que vão transformar o referido canal num espaço viário interligando a Terceira Ponte a Rodovia Darly Santos, com o objetivo de desafogar o trânsito do centro de Vila Velha.

Porém, tratamento de esgoto e despoluição do canal são assuntos que nunca foram tocados por nenhum órgão responsável (Prefeitura, Governo do Estado e Cesan). Por isso, na hora da escolha do administrador do município, vale a pena observar quem está realmente preocupado com a nossa saúde, bem-estar e desenvolvimento. Isso tudo envolve o ambiente em que vivemos.

Gestão ambiental vira moda

Gestão ambiental chega ao mercado da moda, aumentando as vagas de emprego e diminuindo a agressão ao meio ambiente.

Por: Cíntia Cazate, Fabiana Tessinari, Luiz Eduardo Neves e Raphaella Rodrigues

Como obter lucros e produzir produtos de alta qualidade sem agredir a natureza? A busca da resposta para essa questão está mudando o processo produtivo de industrias do ramo têxtil, como a GB Lavanderia e a Marles (vide box), que agridem diretamente o meio ambiente por meio de resíduos tóxicos e a cultura da matéria prima para a confecção das malhas.

O jeans é o “carro-chefe” do mercado capixaba, entretanto, antes de ser comercializado precisa passar por um processo de lavagem, pois é um tecido muito duro, e seria impróprio para uso se não fosse “amaciado”. Esse processo é muito prejudicial ao meio-ambiente e no composto utilizado há vários tipos de toxinas que poluem rios e mares. A GB Lavanderia, sediada em Colatina, é pioneira no Brasil em tipos alternativos de lavagem do jeans. A empresa desenvolveu uma técnica que não utiliza nenhum tipo de produto no material. O tecido é lixado manualmente e depois “lavado” com pedras (processo físico). A empresa está no mercado desde 1996 e o processo de lixamento (tecnologia orgânica) foi implantado no ano 2000. A lavanderia, que no ano de sua criação possuía 22 funcionários, atualmente conta com 120. Desses, 80 trabalham somente com o lixamento. “Uma atitude que é ecologicamente correta, passa a ser também social, à medida que gera muitos empregos”, relata Brito, gerente geral da GB.

Ainda na região Norte do Estado podemos encontrar inúmeras indústrias do ramo têxtil. As de grande porte, em sua maioria, fazem um trabalho interno de reaproveitamento e utilizam produtos biodegradáveis em suas lavanderias. Porém, pensar nas questões ecológicas hoje aumenta as despesas em torno de 45%. No caso das pequenas e médias indústrias, o SEBRAE está mapeando as condições para a implantação de projetos similares aos das grandes fábricas. Segundo a gestora de projetos do SEBRAE, Ana Karla Vitória Macabú, essa é uma medida para médio e longo prazo, já que a preocupação inicial dessas empresas é conseguir se estabilizar no mercado.

Moda Sustentável

moda marles bamboo

A malharia Marles, no mercado há 35 anos, lançou há um ano e meio a marca Bamboo, uma linha de tecido produzida com a fibra de bambu. A roupa produzida com o material, além da leveza, possui outros atributos, como a proteção contra os raios UV; elimina odores do suor; não forma pilling (bolinhas); e é termodinâmica, se faz calor esfria e no frio fica refrescante.

Segundo a gerente e marketing da malharia paulista, Priscila Canccian, “as fibras da maioria dos outros tecidos são extraídas da celulose de eucalipto, que não é uma planta nativa do Brasil e que agride bastante o solo, formando os desertos verdes”. Já o bambu é uma cultura sustentável por crescer cerca de 20 cm por dia. A plantação se renova um ano após a colheita.

Outras malharias, como a Menegotti, também já estão produzindo com o tecido ecologicamente sustentável. Mas o valor do produto final ao consumidor ainda é salgado por conta da importação da fibra, que é de produção exclusiva da China.


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