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Rei do pop e seus fãs posers

 tumulomichaeljackson

“Jacko”, além do seu potencial artístico e com o disco mais vendido de todos os tempos, já entra para história como sendo o único homem a nascer negro e morrer branco.

Por Janine Pozesjanine_pozes@hotmail.com

O que para o mundo é uma perda muito grande, não me abala tanto. Tá certo que o Michael Jackson era um ícone do cenário pop mundial, mas pra mim ele era um ser humano psicologicamente perturbado. Eu não tenho nada contra ele, muito pelo contrário, acho que ele merecia a denominação de “Rei do Pop”. Eu nunca fui fã e nem me tornei uma fã da noite para o dia só porque ele morreu. É extremamente estranho a quantidade de gente que só conhece uma música ou por ouvir todo mundo dizendo que o cara era bom, se autodenominam fãs. Engraçado que depois da morte, o cara em 24 horas triplicou a venda de CDs. Agora me diz: os artistas só têm valor depois que morrem?

Depois da morte de Jackson, apareceram várias pessoas dizendo que já fizeram algo para ele do tipo “segurei o guarda-sol pra ele”, “tenho o sofá que ele descansou durante as gravações”, “Levei água pra ele” e por aí vai.

Um fato engraçado foi o clipe de nome “They Don’t Care About Us” gravado no Brasil em 1996. No dia da estréia do clipe, tão aguardada pelos brasileiros, principalmente por moradores do morro de Santa Marta no Rio de Janeiro e do Pelourinho em Salvador, aconteceu uma inesperada mudança de planos.

Michael Jackson que havia produzido uma segunda versão para o videoclipe, com cenas de brigas, crianças com fome e cenas em um presídio fictício, utilizou esta versão para a estréia e foi ela que ficou bastante conhecida nos EUA e Europa, e onde está o Brasil nessa história? Fácil, nos 3 segundos finais do clipe lançado. Continue lendo ‘Rei do pop e seus fãs posers’

Entrevista com Felipe Macedo

Presidente da Federação de Cineclubes de São Paulo dá sua opinião sobre o fim do Cineart

No início de 2008, o Cineart Glória foi reformado e, em março, reinaugurado com grandes expectativas de melhoras em sua programação de filmes, que, além de cinema, abrigaria outros eventos culturais. Porém, logo após sua reabertura, em abril, o Cineart foi fechado definitivamente para se tornar uma igreja evengélica.

Sobre esse contexto, a equipe do Boca do Lixo conversou por e-mail com o assessor de Relações Internacionais do Conselho Nacional de Cineclubes Brasileiros, Felipe Macedo, também diretor do Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo, que, neste ano, chega a 4ª edição.

BOCA DO LIXO – O fim do Cineart marca o fim definitivo dos cinemas de bairro da Grande Vitória. Por qual motivo as salas de exibição de filmes de bairro perderam tanta força através dos anos?
felipe macedoFELIPE MACEDO (FOTO) – A partir dos anos 80, as empresas americanas de distribuição se concentraram em apenas três – em alguns momentos só duas – não por processos de aquisição ou fusão, mas sob a batuta da Motion Pictures Association. Nos EUA, elas continuavam empresas separadas, aqui se cartelizaram. Os territórios foram abolidos e fechados os escritórios regionais. Estruturadas como monopólio, as empresas passaram a ditar os preços sem concorrência: num espaço de tempo reduzidíssimo faliram aos magotes os pequenos exibidores, desapareceram os cinemas nas cidades pequenas, depois nas médias, nos bairros. Enfim, cerca de 80% das salas de cinema fecharam em poucos anos.

O modelo e o controle da distribuição determinam o estado da exibição. O cinema deixou de ser divertimento popular, passou a ser entretenimento para as elites, concentradas em algumas grandes “praças”, com um ingresso muitas vezes mais caro do que o valor histórico até então. A administração da distribuição ficou mais barata e o aumento do ingresso compensou a diminuição de salas.

BL – Praticamente todas as grandes salas de cinema da GV (Paz, Santa Cecilia e, agora, Cineart), mesmo que por uma baita coincidência, viraram igrejas evangélicas. O que você acha desse fenômeno: lugares que eram espaços para a cultura virarem lugares voltados à religião?
FM
– Pessoalmente, acho péssimo. A religião é um elemento de alienação ainda pior que o pior cinema possível. Mas, dadas as características dos espaços vagos, e a evolução do mercado imobiliário, grandes espaços de antigos cinemas têm que ser ocupados por estacionamentos, supermercados e outras lojas de grande superfície, como os templos onde se negocia o divino.

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Fim de uma era

Sala CineartHá quase um ano, o último cinema de bairro da Grande Vitória fechou as suas portas para virar uma igreja evangélica

Por Luiz Eduardo Neves – dudunews@hotmail.com

O Cineart Glória – símbolo de resistência por ser o último cinema de bairro da Grande Vitória – está fechado desde o início do ano passado. Depois de 55 anos como ponto de entretenimento e cultura, a sala foi alugada para tornar-se um templo religioso.

Segundo o último administrador do Cineart, o cineclubista Marcos Valério Guimarães, “a sala parou de funcionar em abril de 2008. No entanto, tínhamos fechado em setembro de 2007 para reformas e reabrimos em março do ano seguinte. O problema foi o período em que reinauguramos – na entresafra de lançamentos. Além da dificuldade de conseguirmos cópias desses filmes”, o que torna a concorrência, com as salas de shoppings, desleal.

Porém, mesmo quase um ano após seu fechamento, muitos freqüentadores e moradores do entorno nem sabiam do fato. Os que manifestaram alguma opinião sempre citavam a grande vantagem do cinema: o baixo preço.

Para Luiz Danilo Evangelista Venturotti, 30 anos, “muitas pessoas não tinham condições de pagar os preços estipulados nos shoppings, então o Cineart era uma opção de divertimento para os menos previlegiados”.

multiplexO Cineart ainda sobrevivia por atender uma parcela mais popular do mercado, que buscava preços mais baixos. Além disso, apesar de um pouco atrasada em relação ao lançamento, eram exibidas as mesmas grandes produções cinematográficas dos multiplex.

“Muita vezes eu acabava enfrentando as filas e preços enormes dos shoppings, pois tinha o problema do filme chegar bem depois”, diz a universitária Janine Pozes, 21 anos. “Mesmo assim, de vez em quando, valia a pena curtir o clima família e a comodidade de um cinema de bairro”, complementa.

“Este atraso não era grande desvantagem assim em relação à quantidade de público, pois os DVD’s alternativos ainda não tinham uma expressão tão significativa até meados de 2006”, explica Marcos. Atualmente 90% das mídias piratas apreendidas pela polícia são DVD’s.

Já o presidente da federação Paulista de Cineclubes, Felipe Macedo, acredita que o problema é estrutural. “A partir dos anos 80, estruturadas como monopólio, as empresas distribuidoras passaram a ditar os preços sem concorrência. Cerca de 80% das salas de cinema fecharam em poucos anos. O cinema deixou de ser divertimento popular, passou a ser para as elites, concentradas em algumas grandes “praças”, com um ingresso muitas vezes mais caro do que o valor histórico até então. A administração da distribuição ficou mais barata e o aumento do ingresso compensou a diminuição de salas”, analisa Felipe.

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